Dólar sobe a R$ 5,20 e atinge maior valor em quase três meses

Dólar sobe a R$ 5,20 e atinge maior valor em quase três meses

Bolsa brasileira recua pressionada por queda do petróleo e das commodities

Por *Wellton Máximo | Agência Brasil
Edição: Jornal de Curitiba
Publicado em 24/06/2026 às 19h29

O dólar voltou a ganhar força no mercado financeiro e encerrou esta quarta-feira (24) no maior nível de fechamento em quase três meses. A moeda norte-americana foi cotada a R$ 5,202, registrando alta de 0,28% no dia. Durante a manhã, chegou a atingir R$ 5,22.

O avanço da moeda refletiu o aumento da cautela dos investidores diante das expectativas de manutenção dos juros elevados nos Estados Unidos e da forte queda nos preços internacionais do petróleo.

Segundo analistas, o mercado aguarda a divulgação do índice de preços de gastos com consumo (PCE), principal indicador de inflação acompanhado pelo Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano. Caso os dados indiquem persistência das pressões inflacionárias, a autoridade monetária poderá manter uma política monetária mais restritiva por mais tempo.

Diferença de juros reduz atratividade do Brasil

No cenário doméstico, especialistas apontam que a redução da diferença entre os juros brasileiros e norte-americanos diminuiu o interesse de investidores estrangeiros pelo chamado carry trade, estratégia que busca ganhos na diferença entre taxas de juros de diferentes países.

O fortalecimento global do dólar também contribuiu para a valorização da moeda. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, permaneceu próximo dos maiores níveis registrados em mais de um ano.

Bolsa fecha em queda

A bolsa brasileira também sentiu os efeitos do cenário externo. O Ibovespa, principal índice da B3, encerrou o pregão aos 170.506 pontos, com queda de 0,44%.

Após iniciar o dia em alta, o mercado perdeu força ao longo da sessão, pressionado principalmente pelas ações de empresas ligadas às commodities, como petroleiras e mineradoras.

Os papéis do setor financeiro também contribuíram para o desempenho negativo do índice. Em contrapartida, empresas voltadas ao consumo interno registraram valorização, beneficiadas pela redução das taxas futuras de juros.

Petróleo recua pelo terceiro dia consecutivo

Os preços internacionais do petróleo registraram nova queda nesta quarta-feira, alcançando os menores níveis desde o início do conflito envolvendo Estados Unidos e Irã.

O barril do petróleo Brent, referência para o mercado internacional e para a Petrobras, caiu 3,81%, encerrando o dia cotado a US$ 73,87.

Já o petróleo WTI, negociado nos Estados Unidos, recuou 3,92%, fechando a US$ 70,34 por barril, chegando a operar abaixo da marca de US$ 70 durante o pregão.

A queda foi influenciada por sinais de normalização do transporte marítimo no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de exportação de petróleo, além da expectativa de flexibilização de restrições ao petróleo iraniano.

Mercado acompanha cenário geopolítico

Investidores também monitoram o avanço das negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã. O alívio das tensões reduziu os temores de interrupções no fornecimento global de petróleo, contribuindo para a queda dos preços da commodity.

Apesar disso, analistas avaliam que o cenário internacional permanece sensível e que os próximos indicadores econômicos dos Estados Unidos continuarão sendo determinantes para os rumos dos mercados financeiros globais.

*Com informações da Reuters.

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