Ministro condiciona data de desligamento à possível reunião entre Lula e Donald Trump; sucessão interna busca sinalizar continuidade da política econômica
Por João Ribeiro
Brasília – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quarta-feira (25) que a definição de sua saída do comando da pasta dependerá da possível viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos para um encontro bilateral com o presidente norte-americano Donald Trump. A reunião, que pode ocorrer entre os dias 15 e 20 de março, ainda não foi oficialmente confirmada, mas já influencia os bastidores políticos e econômicos em Brasília.
Haddad declarou que pretende se reunir com Lula nesta quinta-feira (26) para definir se integrará a comitiva presidencial. “Se eu for, a data de saída é uma; se eu não for, a data é outra”, afirmou o ministro, ao retornar de compromissos internacionais na Índia e na Coreia do Sul, onde acompanhou o chefe do Executivo.
Transição planejada e estratégia eleitoral
Desde o fim de 2025, Haddad sinaliza que pretende deixar a Fazenda para colaborar diretamente com a campanha de reeleição de Lula. Inicialmente, cogitou deixar o cargo ainda em fevereiro, mas a tendência é que a transição ocorra apenas em meados de março.
Integrantes do governo avaliam que a permanência até a definição da agenda internacional ajuda a evitar ruídos diplomáticos e garante previsibilidade à política econômica em um momento sensível para o mercado.
O que está em jogo na reunião Lula–Trump?
- Fortalecimento das relações comerciais Brasil–Estados Unidos
- Cooperação em transição energética
- Parcerias em tecnologia e inovação
- Discussões sobre cenário geopolítico internacional
Impacto no mercado financeiro
A possível saída do ministro gera atenção no mercado financeiro. Analistas avaliam que mudanças no comando da equipe econômica podem provocar volatilidade de curto prazo, especialmente no câmbio e na curva de juros.
Investidores acompanham principalmente os sinais de compromisso com a disciplina fiscal e a continuidade das reformas estruturais. A estratégia do governo tem sido reforçar que a sucessão, caso confirmada, ocorrerá dentro da própria equipe técnica, evitando rupturas.
Possíveis efeitos imediatos
Dólar: tendência de oscilação diante de incertezas políticas.
Bolsa: setores ligados ao consumo e infraestrutura podem reagir conforme expectativa fiscal.
Juros: mercado monitora sinais de responsabilidade fiscal.
Agenda pendente antes da saída
Antes de deixar o cargo, Haddad pretende concluir estudos sobre alternativas de financiamento da proposta de tarifa zero no transporte público, tema que envolve debate federativo e impacto orçamentário relevante.
Outro ponto central é a regulamentação da tributação de criptoativos, considerada estratégica para ampliar a segurança jurídica e a arrecadação federal.
Tarifa Zero: desafio fiscal
A proposta busca garantir transporte público gratuito em centros urbanos, mas exige modelo sustentável de financiamento, com participação de União, estados e municípios.
Sucessão na Fazenda
O nome mais cotado para assumir o comando do Ministério da Fazenda é o atual secretário-executivo da pasta, Dario Durigan. Caso a mudança se confirme, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, deve assumir a secretaria-executiva.
A escolha interna é interpretada como sinal de continuidade, já que ambos participam diretamente da formulação das principais diretrizes fiscais e tributárias do governo.
Continuidade ou mudança?
A eventual promoção de Durigan indicaria manutenção da atual linha econômica, reduzindo riscos de instabilidade no curto prazo.
Pressões políticas e cenário eleitoral
Apesar de declarar publicamente que não pretende disputar cargos eletivos neste ano, Haddad enfrenta pressões dentro do Partido dos Trabalhadores para concorrer ao governo de São Paulo ou ao Senado.
Lideranças avaliam que sua passagem pela Fazenda fortaleceu sua imagem como gestor técnico. O ministro, contudo, mantém discurso de que pretende atuar nos bastidores da campanha presidencial.
Cenários possíveis
- 1. Haddad integra a comitiva e deixa o cargo após a missão internacional.
- 2. Não participa da viagem e antecipa a saída.
- 3. Permanece até abril para concluir projetos estratégicos.
A definição deve ocorrer nos próximos dias. Até lá, o mercado acompanha cada declaração com atenção, enquanto o Palácio do Planalto trabalha para garantir estabilidade política e econômica.
