Por Redação Jornal de Curitiba
Publicado em: 06 de março de 2026 • 4 min de leitura
Entre guerra e afeto: “Conto de Farida” estreia em Curitiba com Luís Melo
Inspirado em relatos reais de refugiados sírios e no trabalho premiado do fotógrafo Maurício Lima, espetáculo aborda deslocamentos forçados e faz temporada gratuita no Teatro José Maria Santos a partir de 13 de março.
No próximo dia 13 de março, o palco do Teatro José Maria Santos, em Curitiba, recebe a estreia nacional do espetáculo “Conto de Farida”, montagem que une teatro, música e memória para abordar os impactos humanos das guerras e dos deslocamentos forçados.
Com dramaturgia da escritora e professora Luci Collin e direção de Eduardo Ramos, a peça marca o retorno do ator curitibano Luís Melo aos palcos paranaenses em uma narrativa que conecta histórias familiares a uma das maiores crises humanitárias da atualidade.
Inspirado na exposição “Farida – Um Conto Sírio”, do fotógrafo brasileiro Maurício Lima, vencedor do Prêmio Pulitzer, o espetáculo acompanha o drama de uma família síria diante da guerra e da necessidade de abandonar seu país.
A história de uma família em meio à guerra
No centro da narrativa está a família Farah, cuja rotina é abruptamente interrompida pelo avanço da guerra civil na Síria. A trama acompanha os dilemas enfrentados por seus integrantes diante de escolhas extremas: permanecer em sua terra natal ou partir rumo ao desconhecido em busca de sobrevivência.
Na peça, Luís Melo interpreta Khaled Farah, patriarca da família dividido entre proteger suas raízes e garantir a segurança dos filhos. Ao seu lado estão as atrizes Mayra Fernandes, Ciliane Vendruscolo e Camila Ferrão, que dão voz às diferentes perspectivas de uma família fragmentada pelo conflito.
Segundo o diretor Eduardo Ramos, a obra foi concebida como um espaço de escuta e testemunho.
“Entre silêncios, despedidas e gestos de resistência, a cena se constrói como um lugar onde essas histórias podem existir e ser compartilhadas.”
Arte inspirada em relatos reais
A base visual da montagem vem do trabalho documental de Maurício Lima, que acompanhou durante 51 dias a fuga de uma família síria da cidade de Alepo. A experiência resultou em uma série fotográfica que se tornou referência internacional ao retratar o cotidiano de refugiados.
Além da inspiração documental, a dramaturgia também incorporou relatos de artistas sírios radicados no Brasil, como Abed Tokmaji, Myria Tokmaji e Lucia Loxca, que vivem no país há mais de uma década e contribuíram com suas experiências pessoais de exílio.
No palco, essas histórias ganham forma por meio de música ao vivo executada com instrumentos tradicionais, incluindo o alaúde, conduzida pela diretora musical Edith de Camargo e pelos próprios músicos sírios participantes da montagem.
Cenografia e atmosfera sensorial
A encenação aposta em um ambiente visual que remete aos escombros e às paisagens fragmentadas da guerra. A cenografia de Fernando Marés utiliza tons acinzentados e estruturas irregulares para representar a instabilidade vivida pelos personagens.
O desenho de luz assinado por Beto Bruel e Lucas Amado cria atmosferas que transitam entre tensão, memória e esperança, dialogando diretamente com a trilha sonora executada ao vivo.
Essa combinação de elementos transforma o espetáculo em uma experiência sensorial que aproxima o público das emoções vividas por milhões de pessoas deslocadas no mundo.
Crise global de refugiados
Segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), mais de 123 milhões de pessoas estavam deslocadas à força no mundo entre 2024 e 2025 devido a guerras, perseguições e crises humanitárias.
- 83,4 milhões vivem deslocadas dentro de seus próprios países
- mais de 43 milhões são refugiadas em outras nações
- cerca de 40% são crianças e adolescentes
- aproximadamente 4,4 milhões são apátridas
O espetáculo transforma esses números em experiência sensível ao apresentar o drama humano por trás das estatísticas.
Retorno de Luís Melo aos palcos curitibanos
Foto: Bruna Bazzo / BB Comunica
Natural de Curitiba, Luís Melo iniciou sua trajetória artística na década de 1970 no curso permanente de teatro da Fundação Teatro Guaíra e posteriormente integrou o Centro de Pesquisa Teatral dirigido por Antunes Filho, em São Paulo.
Sua interpretação de Macbeth no espetáculo Trono de Sangue (1992) lhe rendeu alguns dos principais prêmios do teatro brasileiro, incluindo o Prêmio Shell, o Mambembe e o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte.
Para o ator, retornar aos palcos de Curitiba em um projeto coletivo tem significado especial.
“Gosto de trabalhar com grupos dedicados, que desenvolvem processos contínuos com cuidado e comprometimento. Isso torna o trabalho no palco uma experiência feliz e responsável.”
Serviço
Espetáculo: Conto de Farida
Local: Teatro José Maria Santos
Endereço: Rua Treze de Maio, 655 – São Francisco, Curitiba
Datas: 13 a 26 de março
- Terça a sexta: 20h
- Sábados: 17h e 20h
- Domingos: 11h e 17h
Ingressos: Gratuitos (retirada na bilheteria uma hora antes)
Sessões acessíveis:
- Libras: 14 e 21 de março – 20h
- Audiodescrição: 20 de março – 20h
Classificação indicativa: 14 anos
Esta reportagem foi produzida pela redação do Jornal de Curitiba. Parte das informações foi fornecida pela assessoria de imprensa BB Comunica. O conteúdo foi editado, contextualizado e revisado segundo os critérios editoriais do jornal.
Crédito de informações
Informações: BB Comunica – Assessoria de Imprensa
Bruna Bazzo

