Linfoma de Hodgkin é raro, mas tem altas chances de cura com diagnóstico precoce

Menos frequente que outros tipos de câncer do sistema linfático, o linfoma de Hodgkin apresenta incidência estimada de três casos a cada 100 mil habitantes por ano no Brasil. Apesar de raro, o câncer tem altas taxas de cura, principalmente quando identificado nos estágios iniciais.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), em 2020 foram registrados 2.640 novos casos no país, sendo 1.590 em homens e 1.050 em mulheres. As regiões Sudeste e Sul concentram a maior parte dos diagnósticos, seguidas pelo Nordeste, Centro-Oeste e Norte.

Referência nacional no tratamento da doença, o Inca atende cerca de 70 pacientes por ano com linfoma de Hodgkin. Casos recentes envolvendo figuras públicas, como o comentarista esportivo Caio Ribeiro e o jogador de futebol David Brooks, da Inglaterra, ajudaram a ampliar a visibilidade sobre o tema.

O que é o linfoma de Hodgkin

O linfoma de Hodgkin é um câncer que se origina no sistema linfático, responsável pela defesa do organismo. Trata-se de uma doença de evolução relativamente lenta, o que torna o diagnóstico precoce um fator decisivo para o sucesso do tratamento.

O tratamento é baseado principalmente em quimioterapia intravenosa. Em alguns casos, a radioterapia pode ser associada para potencializar os resultados. A duração e a intensidade do tratamento variam conforme o estágio da doença.

Sintomas de alerta

O sinal mais comum do linfoma de Hodgkin é o surgimento de ínguas ou caroços indolores, geralmente no pescoço, axilas ou virilha. Em fases mais avançadas, os linfonodos afetados podem estar localizados no tórax, abdômen ou até na medula óssea.

  • Perda de peso inexplicada superior a 10% em seis meses;
  • Febre persistente, especialmente no fim do dia;
  • Sudorese noturna intensa;
  • Coceira generalizada no corpo.

A doença acomete principalmente adolescentes e adultos jovens, mas também pode ocorrer em idosos.

Diagnóstico e acompanhamento

O diagnóstico é confirmado por meio de biópsia de um linfonodo, analisada por um patologista especializado. Após a confirmação, o paciente é encaminhado a um hematologista, que avalia o estágio da doença com exames de imagem e, quando necessário, biópsia da medula óssea.

Mesmo após o fim do tratamento, o acompanhamento é essencial. A cura é considerada definitiva quando o paciente permanece cinco anos em remissão completa, período em que são realizados exames periódicos.

Em casos de retorno da doença, há a possibilidade de transplante autólogo de medula óssea, com taxas de sucesso que podem chegar a 50%.

Desafios no sistema público de saúde

Especialistas alertam para desafios no tratamento, especialmente no Sistema Único de Saúde (SUS). Medicamentos mais antigos vêm desaparecendo do mercado, enquanto terapias modernas ainda possuem custo elevado.

Até o momento, não existe uma causa única comprovada para o surgimento do linfoma de Hodgkin. Fatores genéticos, ambientais e infecções virais, como a mononucleose, podem estar associados, mas não determinam isoladamente o desenvolvimento da doença.

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