Impacto do Conflito no Irã sobre o Preço do Petróleo

© Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo

Petróleo dispara após ofensiva contra o Irã e tensão no Estreito de Ormuz eleva risco inflacionário global

Conflito no Oriente Médio provoca alta superior a 7% no Brent e reacende alertas sobre inflação, juros e câmbio no Brasil.

O mercado internacional iniciou a semana sob forte volatilidade após a ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. O episódio elevou significativamente a percepção de risco geopolítico e provocou reação imediata nos mercados de energia.

O contrato futuro do petróleo Brent, referência global negociada em Londres, era cotado próximo de US$ 79 por barril, acumulando alta de aproximadamente 7,6%. Em determinados momentos, o barril chegou a superar US$ 80, com picos acima de 13%.

Já o petróleo WTI, negociado em Nova York, avançava cerca de 6%, sendo cotado acima de US$ 71 por barril.

Logística é o principal risco

Analistas destacam que a preocupação global não está na produção de petróleo, mas sim na logística. A Opep+ anunciou aumento da produção para compensar eventual retirada do petróleo iraniano do mercado.

Contudo, mesmo com capacidade produtiva disponível, a interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz comprometeria o abastecimento internacional, gerando desorganização nas cadeias globais.

Reflexos no Brasil

Na B3, as ações da Petrobras registravam alta de aproximadamente 3,9%, refletindo o cenário favorável às empresas produtoras diante da valorização do barril.

Entretanto, o efeito macroeconômico pode ser adverso. Caso a alta do petróleo persista, o repasse aos combustíveis pode pressionar a inflação e impactar decisões do Banco Central.

O Comitê de Política Monetária (Copom) já sinalizou a possibilidade de corte na taxa Selic. Contudo, diante do novo cenário internacional, o movimento pode ocorrer de forma mais cautelosa.

Dólar volta a subir

O dólar interrompeu a trajetória de queda das últimas semanas e voltou a subir, sendo negociado próximo de R$ 5,20. O movimento reflete a chamada “fuga do risco”, quando investidores reduzem exposição a mercados emergentes e buscam ativos considerados mais seguros.

A combinação de petróleo caro, câmbio pressionado e risco inflacionário cria um ambiente desafiador para economias emergentes, incluindo o Brasil.

Cenário aberto e volátil

O que o mercado precifica neste momento não é apenas o conflito atual, mas a possibilidade de escalada regional no Oriente Médio — região responsável por parcela significativa da energia global.

Enquanto persistirem incertezas sobre o funcionamento do Estreito de Ormuz, os preços do petróleo devem permanecer sensíveis a novos desdobramentos militares e diplomáticos.

Redação Jornal de Curitiba

Editorias: Economia | Internacional | Mercado Financeiro

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