Petróleo dispara após ofensiva contra o Irã e tensão no Estreito de Ormuz eleva risco inflacionário global
Conflito no Oriente Médio provoca alta superior a 7% no Brent e reacende alertas sobre inflação, juros e câmbio no Brasil.
O mercado internacional iniciou a semana sob forte volatilidade após a ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. O episódio elevou significativamente a percepção de risco geopolítico e provocou reação imediata nos mercados de energia.
O contrato futuro do petróleo Brent, referência global negociada em Londres, era cotado próximo de US$ 79 por barril, acumulando alta de aproximadamente 7,6%. Em determinados momentos, o barril chegou a superar US$ 80, com picos acima de 13%.
Já o petróleo WTI, negociado em Nova York, avançava cerca de 6%, sendo cotado acima de US$ 71 por barril.
Logística é o principal risco
Analistas destacam que a preocupação global não está na produção de petróleo, mas sim na logística. A Opep+ anunciou aumento da produção para compensar eventual retirada do petróleo iraniano do mercado.
Contudo, mesmo com capacidade produtiva disponível, a interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz comprometeria o abastecimento internacional, gerando desorganização nas cadeias globais.
Reflexos no Brasil
Na B3, as ações da Petrobras registravam alta de aproximadamente 3,9%, refletindo o cenário favorável às empresas produtoras diante da valorização do barril.
Entretanto, o efeito macroeconômico pode ser adverso. Caso a alta do petróleo persista, o repasse aos combustíveis pode pressionar a inflação e impactar decisões do Banco Central.
O Comitê de Política Monetária (Copom) já sinalizou a possibilidade de corte na taxa Selic. Contudo, diante do novo cenário internacional, o movimento pode ocorrer de forma mais cautelosa.
Dólar volta a subir
O dólar interrompeu a trajetória de queda das últimas semanas e voltou a subir, sendo negociado próximo de R$ 5,20. O movimento reflete a chamada “fuga do risco”, quando investidores reduzem exposição a mercados emergentes e buscam ativos considerados mais seguros.
A combinação de petróleo caro, câmbio pressionado e risco inflacionário cria um ambiente desafiador para economias emergentes, incluindo o Brasil.
Cenário aberto e volátil
O que o mercado precifica neste momento não é apenas o conflito atual, mas a possibilidade de escalada regional no Oriente Médio — região responsável por parcela significativa da energia global.
Enquanto persistirem incertezas sobre o funcionamento do Estreito de Ormuz, os preços do petróleo devem permanecer sensíveis a novos desdobramentos militares e diplomáticos.
