Parque linear da Arthur Bernardes divide opiniões em Curitiba entre ganhos urbanos e impactos ambientais

O eixo da Avenida Arthur Bernardes esta se transformando em um grande parque linear que une mobilidade natureza e convivencia 1

Por João Ribeiro | Jornal de Curitiba

O projeto de transformação do eixo da Avenida Arthur Bernardes em um parque linear moderno, integrado ao Novo Inter 2, vem sendo apresentado pela Prefeitura de Curitiba como uma das principais iniciativas de requalificação urbana da cidade. A proposta reúne melhorias no transporte coletivo, ampliação de áreas verdes, novos espaços de lazer e soluções sustentáveis de drenagem urbana.

Ao mesmo tempo, a intervenção também desperta debates entre moradores, ambientalistas, comerciantes e especialistas em urbanismo sobre os impactos ambientais, as mudanças no trânsito e os efeitos da obra no cotidiano da região.

Os benefícios apontados pela Prefeitura

Segundo a administração municipal, o projeto representa uma nova visão de urbanismo sustentável, conciliando mobilidade, meio ambiente e qualidade de vida.

Entre os principais pontos positivos destacados pela Prefeitura estão:

  • criação de um parque linear de aproximadamente 40 mil metros quadrados;
  • implantação de ciclovias e pistas de caminhada;
  • ampliação das áreas de esporte e lazer;
  • modernização do corredor do transporte coletivo;
  • melhoria da drenagem urbana com jardins de infiltração;
  • redução de gargalos viários;
  • preparação da estrutura para ônibus elétricos.

O projeto também prevê iluminação em LED, mobiliário urbano, playground moderno e novas áreas de convivência, transformando o antigo eixo de animação em um espaço multifuncional voltado ao lazer e à mobilidade sustentável.

Outro argumento favorável é a preservação de parte significativa da vegetação existente. A Prefeitura afirma que o projeto foi revisado após consultas públicas para reduzir o número de árvores removidas, preservando exemplares de grande porte e ampliando o plantio compensatório em bairros da região.

Especialistas em planejamento urbano costumam apontar que parques lineares ajudam na valorização urbana, estimulam atividades ao ar livre e contribuem para diminuir ilhas de calor em grandes cidades.

Impactos ambientais e preocupação com árvores removidas

Apesar das compensações ambientais anunciadas, a retirada de árvores no eixo da Arthur Bernardes segue sendo um dos pontos mais sensíveis do projeto.

De acordo com dados oficiais, 105 árvores precisarão ser removidas e outras 37 transplantadas para viabilizar as obras. Embora a Prefeitura afirme que apenas 6% da vegetação do eixo será afetada, moradores e movimentos ambientais questionam os impactos imediatos da supressão vegetal em uma das áreas mais arborizadas da cidade.

Entre as principais preocupações levantadas estão:

  • perda de sombra natural durante o crescimento das novas mudas;
  • impacto na fauna urbana;
  • alteração da paisagem histórica do corredor verde;
  • aumento temporário da sensação térmica;
  • risco de descaracterização do espaço tradicionalmente utilizado para lazer.

Críticos também argumentam que árvores adultas levam décadas para atingir o porte das espécies removidas, mesmo com programas robustos de compensação ambiental.

Trânsito, comércio e transtornos temporários

Outro ponto de debate envolve os impactos das obras no dia a dia da população.

As intervenções na Arthur Bernardes devem durar cerca de 15 meses e já provocam alterações no trânsito, bloqueios parciais e mudanças na circulação da região. Comerciantes relatam preocupação com a redução do fluxo de clientes durante o período de obras, enquanto moradores enfrentam mudanças de rota e aumento do tempo de deslocamento.

A Prefeitura afirma que os desvios são planejados para minimizar transtornos e sustenta que os benefícios futuros compensarão os impactos temporários.

Debate sobre modelo de cidade

O projeto da Arthur Bernardes também reacende uma discussão mais ampla sobre o modelo de desenvolvimento urbano de Curitiba.

De um lado, urbanistas defendem investimentos em corredores sustentáveis integrados ao transporte público, reduzindo a dependência do carro e ampliando espaços públicos de convivência.

De outro, movimentos comunitários e ambientalistas cobram maior preservação das áreas verdes já consolidadas e questionam se todas as intervenções viárias seriam realmente necessárias.

Mesmo entre críticos, há consenso de que o eixo precisava de revitalização. O principal debate está na forma como essa transformação será executada e no equilíbrio entre mobilidade, urbanização e preservação ambiental.

Projeto deve impactar 28 bairros

O Novo Inter 2 prevê requalificação de mais de 38 quilômetros de vias e melhorias no sistema de transporte coletivo em 28 bairros de Curitiba. A expectativa da Prefeitura é beneficiar cerca de 181 mil passageiros por dia com maior velocidade operacional dos ônibus e integração futura com veículos elétricos.

Enquanto as obras avançam, a revitalização da Arthur Bernardes deve seguir como um dos temas urbanos mais discutidos da capital paranaense nos próximos meses.

Fonte: Prefeitura de Curitiba, Ippuc e Secretaria Municipal do Meio Ambiente 


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