Série Especial – Inteligência Artificial e Sociedade
Publicado semanalmente por João Ribeiro
Nesta série de artigos informativos, vamos explorar de forma acessível e responsável os impactos da inteligência artificial no cotidiano das pessoas, na educação, no trabalho e na vida em sociedade.
A cada semana, um novo capítulo com reflexões, exemplos práticos e orientações sobre o uso consciente das tecnologias que estão moldando o futuro.
ChatGPT não é inimigo da aprendizagem: especialistas mostram o caminho pedagógico
Por João Ribeiro – Especial para o Jornal de Curitiba
29 de junho de 2025
Nos últimos dias, manchetes alarmistas tomaram conta dos noticiários: “ChatGPT pode impactar negativamente a aprendizagem, diz instituto”, afirmava a Agência Brasil. O estudo citado indicava que o uso da IA durante tarefas de escrita poderia reduzir a atividade cerebral, especialmente em áreas ligadas à criatividade e memória.
Mas será mesmo que a inteligência artificial é um risco? Ou estamos apenas diante de uma nova tecnologia sendo julgada de forma precipitada, como já ocorreu no passado com os videogames, a internet e até a calculadora?
A resposta está na forma como usamos a IA. E, para muitos educadores e pesquisadores, o ChatGPT pode sim ser um poderoso aliado no processo pedagógico, quando utilizado com orientação e criticidade.
O que dizem os especialistas?
Ana Altenfelder, presidente do Cenpec:
“A inteligência artificial pode ajudar a planejar, a fazer a gestão da aprendizagem. Mas o que não podemos esquecer, de jeito nenhum, é o papel central do professor.”
(Fonte: Agência Brasil)
Diogo Cortiz, pesquisador da PUC-SP e NIC.br:
“Com ferramentas de IA, vejo uma aceleração no processo de transformação. Precisamos formar cidadãos que saibam usar essas tecnologias com responsabilidade.”
(Fonte: Folha de S.Paulo)
Idelfranio Moreira, consultor educacional:
“Ter a IA como ferramenta para metodologias ativas pode ser muito efetivo no planejamento de práticas pedagógicas relevantes.”
(Fonte: Brasil Escola)
Francisco Tupy, doutor em tecnologias educacionais (USP):
“A IA permite respostas rápidas, mas o que faz a diferença é o repertório de quem pergunta. O aluno pode ser treinado a usar bem essa tecnologia, como qualquer recurso de apoio.”
(Fonte: Bett Brasil)
Salman Khan, fundador da Khan Academy:
“A IA pode servir como tutor Socrático. Seu uso responsável pode tornar o aprendizado mais envolvente. Os benefícios superam os riscos.”
(Fonte: The Times)
O papel da IA na aprendizagem moderna
Os especialistas convergem em um ponto: o ChatGPT, como qualquer tecnologia, não é neutro e seu impacto depende da forma como é usado.
Com orientação pedagógica, ele pode:
- Ajudar o aluno a explorar novas formas de aprendizado;
- Oferecer explicações acessíveis para quem tem dificuldade de entender um conteúdo;
- Estimular o aluno a revisar e reescrever seus próprios textos, ganhando autonomia;
- Ser usado como instrumento de revisão crítica e comparação de ideias.
O risco está no uso passivo
O verdadeiro risco não é a IA, mas o uso acrítico e automático, como copiar respostas sem pensar, sem entender e sem refletir. Esse é o mesmo problema de colar da internet, copiar de um colega ou usar fórmulas sem compreender.
A função do professor, mais do que nunca, é ensinar a pensar, e não apenas transmitir conteúdo. E nesse contexto, o ChatGPT pode ajudar — mas jamais substituir.
A inteligência artificial, como o ChatGPT, não é inimiga da educação. Pelo contrário, se usada com consciência, pode ampliar o acesso ao conhecimento, apoiar o professor e estimular a autonomia do aluno. O futuro da educação não está em evitar a tecnologia, mas em ensinar a usá-la com inteligência, responsabilidade e propósito.
O Jornal de Curitiba seguirá acompanhando de perto essa revolução digital, trazendo uma cobertura equilibrada e guiada por evidências.
Próximo artigo da série: ChatGPT na sala de aula – como professores estão inovando com a IA.
