Guarda Revolucionária contradiz versão dos Estados Unidos sobre navegação no Estreito de Ormuz
A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã negou, nesta segunda-feira (4), a informação divulgada pelos Estados Unidos de que navios comerciais com bandeira norte-americana tenham atravessado o Estreito de Ormuz sob escolta militar dos EUA.
Em comunicado oficial, os militares iranianos afirmaram que nenhuma embarcação comercial ou petroleiro cruzou a região nas últimas horas e classificaram as declarações norte-americanas como “infundadas e completamente falsas”.
Poucas horas antes, o Comando Central dos Estados Unidos, responsável pelas operações militares norte-americanas no Oriente Médio, informou que navios de guerra haviam escoltado duas embarcações comerciais estadunidenses pela região.
Segundo Washington, a operação faz parte do plano anunciado pelo presidente Donald Trump para restabelecer a navegação comercial no Estreito de Ormuz.
Os Estados Unidos afirmam que a missão mobiliza navios de guerra com mísseis guiados, mais de 100 aeronaves e cerca de 15 mil militares na região.
Tensão cresce no Estreito de Ormuz
Em resposta às declarações dos EUA, a Guarda Revolucionária iraniana divulgou um novo mapa marítimo indicando áreas ampliadas de controle sobre o Estreito de Ormuz, estabelecendo duas novas linhas de segurança consideradas “fronteiras de controle”.
As autoridades iranianas reforçaram que qualquer embarcação deverá coordenar a passagem com as Forças Armadas do país para evitar riscos à segurança.
Há ainda relatos de ataques contra dois navios comerciais nas últimas 24 horas na região. Enquanto o Irã afirma ter impedido a passagem de embarcações ligadas aos Estados Unidos e Israel, militares norte-americanos negam qualquer dano às suas forças.
Petróleo dispara no mercado internacional
A escalada das tensões provocou forte reação no mercado internacional de petróleo. O barril do tipo Brent, referência global, registrou alta de cerca de 5% nesta segunda-feira, superando a marca de US$ 114.
O Estreito de Ormuz é considerado uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta, responsável historicamente pela passagem de aproximadamente 20% do petróleo comercializado mundialmente.
Ao anunciar medidas para garantir a navegação na região, Donald Trump afirmou que qualquer tentativa de impedir o fluxo marítimo será enfrentada “com firmeza”.
O governo iraniano sustenta que soluções militares não resolverão a crise e defende negociações diplomáticas mais amplas envolvendo também os conflitos no Líbano e em outras áreas do Oriente Médio.
