Embrapa cria calcário inteligente que corrige o solo, fertiliza lavouras e reduz desperdícios no campo

Embrapa cria calcário inteligente que corrige o solo, fertiliza lavouras e reduz desperdícios no campo

Embrapa desenvolve calcário nanoestruturado mais resistente e nutritivo para aumentar produtividade no campo

Nova tecnologia reduz perdas causadas por vento e umidade, corrige a acidez do solo e incorpora nutrientes essenciais às lavouras

A pesquisa agropecuária brasileira alcançou mais um avanço com potencial para transformar a produção agrícola nacional. Cientistas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolveram um calcário nanoestruturado que, além de corrigir a acidez do solo, atua como fertilizante, oferecendo maior eficiência no manejo agrícola, redução de perdas e aumento da produtividade das culturas.

A inovação foi criada pelo Laboratório de Nanobiotecnologia (LNANO) da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília, por meio de técnicas avançadas de moagem de alta energia e nanoestruturação de partículas minerais.

O resultado é um produto granulado, mais resistente à ação do vento e à umidade, duas das principais causas de desperdício do calcário agrícola convencional.

Segundo os pesquisadores, a nova formulação representa um avanço importante para o setor agropecuário, especialmente em um país que possui extensas áreas agrícolas dependentes da correção da acidez dos solos para alcançar altos níveis de produtividade.

Menos perdas no transporte e armazenamento

Tradicionalmente aplicado em forma de pó, o calcário agrícola está sujeito à dispersão causada pelo vento durante o transporte e a aplicação. Além disso, a absorção de umidade pode provocar o empedramento do material, tornando-o inadequado para utilização em equipamentos agrícolas.

Com a tecnologia desenvolvida pela Embrapa, o produto passa a ser apresentado em grânulos uniformes e mecanicamente mais resistentes, reduzindo significativamente essas limitações.

A melhoria contribui para diminuir perdas logísticas e operacionais, além de proporcionar maior facilidade no armazenamento e na distribuição do insumo.

Corretivo e fertilizante em um único produto

Uma das características mais inovadoras do novo calcário é sua multifuncionalidade.

Além de neutralizar a acidez do solo, função tradicional do calcário agrícola, a nova formulação permite a incorporação de nutrientes essenciais ao desenvolvimento das plantas.

O pesquisador Luciano Paulino da Silva, da área de Nanobiotecnologia da Embrapa, explica que foram desenvolvidos diferentes protótipos para atender às necessidades específicas de diversas culturas agrícolas.

Homem sentado em uma cadeira, gesticulando enquanto fala. Ele usa óculos e uma camisa de cor clara. Ao fundo, há um computador e uma mochila.
Pesquisador da Embrapa Luciano Paulino da Silva diz que o calcário nanoestruturado aumenta a produtividade. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O produto pode ser enriquecido com elementos como nitrogênio, fósforo, potássio, boro, cobre e zinco, formando um fertilizante misto adaptável às exigências nutricionais de cada lavoura.

A tecnologia pode ser utilizada em culturas estratégicas para a economia brasileira, incluindo soja, milho, trigo, café, algodão, cana-de-açúcar e pastagens destinadas à pecuária.

Potencial para elevar a produtividade

Os pesquisadores acreditam que a combinação entre correção do solo e fornecimento equilibrado de nutrientes tende a favorecer o desenvolvimento das plantas e aumentar a produtividade agrícola.

De acordo com a equipe responsável pelo projeto, uma planta adequadamente nutrida apresenta maior vigor vegetativo, melhor aproveitamento dos recursos disponíveis no ambiente e maior capacidade de enfrentar condições adversas.

Os cientistas também estudam a possibilidade de que a tecnologia contribua para reduzir a necessidade de aplicação de defensivos agrícolas, embora novas pesquisas ainda sejam necessárias para confirmar esse potencial em diferentes cenários produtivos.

A hipótese é que plantas mais saudáveis e equilibradas nutricionalmente apresentem maior resistência a estresses e doenças, diminuindo a dependência de intervenções químicas.

Testes já alcançam escala industrial

O calcário nanoestruturado já ultrapassou a fase experimental de laboratório e foi produzido em diferentes escalas, desde pequenas amostras até lotes industriais medidos em toneladas.

Sua eficiência agronômica foi avaliada em cultivos de soja e trigo, com resultados considerados promissores pelos pesquisadores.

Segundo nota técnica da Embrapa, os protótipos mantiveram capacidade adequada de neutralização da acidez do solo e demonstraram potencial para gerar ganhos de produtividade, além de reduzir operações agrícolas no campo.

Os testes em escala produtiva estão sendo conduzidos em parceria com a empresa brasileira Perical, especializada em mineração de calcário agrícola e com atuação nos estados de Goiás e Tocantins.

A cooperação técnica entre a companhia e a Embrapa, firmada há mais de três anos, permitiu investimentos em equipamentos, bolsas de pesquisa e infraestrutura necessária para o desenvolvimento da tecnologia.

Inovação para uma agricultura mais eficiente

Criada em 1973 e vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária, a Embrapa é reconhecida internacionalmente por desenvolver tecnologias que contribuíram para transformar o Brasil em uma das maiores potências agropecuárias do mundo.

O desenvolvimento do calcário nanoestruturado reforça o papel da pesquisa científica na busca por soluções capazes de aumentar a eficiência produtiva, reduzir desperdícios e promover uma agricultura mais sustentável.

Caso os resultados observados nos testes continuem se confirmando em larga escala, a nova tecnologia poderá representar um importante avanço para produtores rurais de diferentes regiões do país, contribuindo para elevar a competitividade do agronegócio brasileiro.

Fonte: Agência Brasil

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

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