Dólar recua para R$ 5,16 e Ibovespa avança com perspectiva de queda da Selic

Dólar recua para R$ 5,16 e Ibovespa avança com perspectiva de queda da Selic

Produção industrial abaixo do esperado reforça apostas de redução dos juros em agosto

Em um dia marcado pelo feriado da Independência dos Estados Unidos, os mercados brasileiros registraram valorização da bolsa de valores e queda do dólar. O movimento foi impulsionado pela divulgação de dados mais fracos da produção industrial brasileira, que reforçaram as expectativas de um corte na taxa básica de juros (Selic) na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

Com os mercados norte-americanos fechados, o volume de negociações ficou abaixo da média, mas o cenário favoreceu os ativos brasileiros.

Bolsa atinge maior nível em um mês

O Ibovespa, principal índice da B3, encerrou esta sexta-feira (3) em alta de 0,74%, aos 174.070,27 pontos. Foi o maior fechamento desde 2 de junho.

No acumulado da semana, o índice avançou 0,45%. Em 2026, a valorização já soma 8,03%.

O volume financeiro negociado ficou em R$ 12,6 bilhões, abaixo da média diária habitual, refletindo a ausência das operações em Wall Street devido ao feriado norte-americano.

Dólar retorna ao patamar de R$ 5,16

O dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 5,168, com queda de R$ 0,04, equivalente a 0,76%.

Com o recuo desta sexta-feira, a moeda norte-americana praticamente eliminou os ganhos acumulados na semana, registrando leve alta de apenas 0,03% no período.

No acumulado de 2026, o dólar apresenta desvalorização de 5,83% frente ao real.

Produção industrial influencia expectativas para a Selic

O principal fator por trás do desempenho dos mercados foi a divulgação dos dados da produção industrial pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o levantamento, a indústria brasileira recuou 0,2% em maio na comparação com abril, resultado inferior ao esperado pelo mercado financeiro.

O dado reforçou a percepção de desaceleração da atividade econômica e aumentou as apostas de que o Banco Central poderá iniciar um ciclo de redução dos juros já na reunião de agosto.

A perspectiva de queda da Selic levou à redução das taxas dos contratos futuros de juros e favoreceu especialmente ações de empresas mais sensíveis ao custo do crédito.

Real acompanha movimento internacional

No mercado de câmbio, o real também foi beneficiado pelo fortalecimento das moedas de países emergentes diante de um dólar mais fraco no exterior.

Os investidores seguiram repercutindo os dados mais recentes do mercado de trabalho dos Estados Unidos, divulgados na véspera, que diminuíram as expectativas de uma política monetária mais rígida por parte do Federal Reserve, o banco central norte-americano.

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas internacionais, permaneceu próximo da estabilidade ao longo da sessão.

Mercado opera com menor liquidez

O fechamento das bolsas norte-americanas e do mercado de títulos do Tesouro dos Estados Unidos reduziu significativamente a liquidez global nesta sexta-feira.

No cenário doméstico, declarações do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, sobre a possibilidade de novas intervenções do Tesouro Nacional no mercado de títulos públicos contribuíram para a queda dos juros futuros, favorecendo o desempenho da bolsa brasileira.

O ambiente de expectativa em torno da política monetária brasileira segue como um dos principais fatores acompanhados pelos investidores nas próximas semanas.

Fonte: Agência Brasil, com informações da Reuters
Repórter: Wellton Máximo

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